Procurei tantas vezes
Vozes certas pra te fazer ouvir
As suplicas do meu corpo apressado
Por vezes encontrei-as em amores,
E n’outras em remorsos
Mas em nenhuma senti ecoar o verdadeiro sentido da busca
Desenfreada do meu desejo, das minhas fantasias.
Porque toda voz contida nos versos existentes já são de um
poeta
E toda criação está condenada ao contexto criador
Do mesmo modo que em qualquer obra feita e refeita por mim,
neste momento,
Estaria condenada aos meus impulsos
Confesso que enjoei da doçura de todos os poetas
Mais me atrai a ousadia e a loucura
E parece-me sensato sentir ao invés de falar sobre o que
sinto
E deixar borrar as paisagens que com certo descuido são
reveladas
Deixando abstrata do jeito que parece ser
A fantasia que me toma
Saciando no meu corpo a falta que não posso saciar na minha
alma.
