Translate

terça-feira, 30 de julho de 2013

Desejo


Procurei tantas vezes
Vozes certas pra te fazer ouvir
As suplicas do meu corpo apressado
Por vezes encontrei-as em amores,
E n’outras em remorsos
Mas em nenhuma senti ecoar o verdadeiro sentido da busca
Desenfreada do meu desejo, das minhas fantasias.
Porque toda voz contida nos versos existentes já são de um poeta
E toda criação está condenada ao contexto criador
Do mesmo modo que em qualquer obra feita e refeita por mim, neste momento,
Estaria condenada aos meus impulsos
Confesso que enjoei da doçura de todos os poetas
Mais me atrai a ousadia e a loucura
E parece-me sensato sentir ao invés de falar sobre o que sinto
E deixar borrar as paisagens que com certo descuido são reveladas
Deixando abstrata do jeito que parece ser
A fantasia que me toma
Saciando no meu corpo a falta que não posso saciar na minha alma. 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sensações

Busco satisfação em coisas que não me pertecem. São coisas que eu tinha no passado e hoje não tenho mais. Coisas que passaram por mim, eu me agarrei e, quando essas coisas foram embora, levaram consigo muito de mim. Outras são coisas que eu quero ter no futuro, que eu planejo e, no fundo, não tenho como ter certeza se é mesmo o que eu quero. Mas hoje, eu vi essa imagem do filme Amelie Poulain. É uma criança comendo morangos. Olhei e pensei: "Ah, que delícia!" Então pensei num monte de coisas que me satisfazem, todas elas existem sem eu tê-las, e eu nunca pensei em tê-las. Agarrar-me à elas, seria impossível...São minutos, ou talvez segundos de prazer indefinível que se vive sem esperar, sem planejar... Me fazem respirar fundo, ficar com a cabeça livre de qualquer tipo de pensamento... são sensações. Tocam no que há de mais verdadeiro em mim, me atravessam e pronto... e ponto.



terça-feira, 16 de julho de 2013

O (A) Segundo(a) Luto(a)

Eu busquei o significado da palavra "luto" e vi que desta, eu poderia escrever um sem fim de coisas. Mas hoje, estando de luto, decidi escrever algo de dentro pra fora, algo que me permita expressar o que eu sinto. Eu sinto muito! Sinto muito por tudo isso que está morrendo. Morrendo por insatisfação.
O que está morrendo? Ora, você ainda não sabe? Pensei que já sabia...
É o gato da vizinha!
Sim, a vizinha, aquela criança que brincava com o seu pobre gato, todos os dias na porta da minha casa. O pobre gato... pobre porque não tem valor, foi achado na rua, perdido, sem rumo... ou não... talvez a vizinha não soubesse que ele tivesse valor, casa, e um rumo, e então, roubou-o e trancafiou-o sem saber...
O gato me incomodava muito! Pensei, por diversas vezes, em matá-lo. Eu sempre dizia: "Vizinha, cuide bem do seu gato, não deixe que ele suba no meu telhado, cuidado, ele pode te arranhar.." Mas a vizinha, pouco se importava... estava tão feliz, coitada!
Foi hoje, às 11 horas! Um caminhão de lixo passou desapercebido da vizinha, todo o lixo caiu sobre a cabeça do gato e este, morreu asfixiado.
Luto pelo gato? Ah não, esse aí não tinha importância real pra mim! Até pensei que deve ter sido a vontade de Deus... O bichinho não tinha mais liberdade, melhor assim...
O luto que me motivou a escrever, é o luto por causa da vizinha... Pobre criança! Pobre porque tinha valor, casa, e talvez até tivesse rumo, mas era muito distraída! Foi tentar salvar o gato, se meteu no meio do lixo e quando encontrou o pobre gato, este já estava morto... Pobre criança! Ficou tão desesperada que morreu junto com o gato.
Luto pela vizinha? Ah não, ela tinha importância pra mim, mas penso que deve ter sido a vontade de Deus...
O luto o qual eu escrevo não é da vizinha, mas sim, por causa dela. Foi ela quem roubou o gato, se destraiu brincando pela rua, não viu o carro de lixo que estava passando e com isso, deixou que seu gato fosse atropelado e que ela mesma morresse por desgosto da morte do gato. É por causa disso tudo que eu luto!
Eu estou de luto?
Não, não é que eu esteja de luto, sofrendo...Imagina! Não é que eu ache uma besteira chorar o que já passou, mas acho que não adianta nada, sabe?... Sinto muito, é verdade! Sinto muito por tudo isso que está morrendo (o gato, a criança...) tristes essas mortes por insatisfação de Deus com o que ele mesmo criou... Eu, na verdade, estou de luto do verbo lutar. Eu luto por uma vizinhança mais consciente dos incômodos alheios. Porque afinal de contas, nada disso teria ocorrido se a vizinha não tivesse privado o gato de sua liberdade e os vizinhos de privacidade. Ninguém é obrigado a gostar de gatos!